Às
vezes me perguntam por que sou tão quieto
Ensimesmado
no meu canto perfeito
Respondo
que apenas observo o mundo
À
espera de um momento extraordinário
Momento
que fotografo num retrato de palavras
E
depois revelo numa folha amassada de papel
Pode
ser uma criança brincando no parque
Ou
um vagabundo pedindo esmola na rua
Pode
ser uma festa que vara a madrugada
Ou
o silêncio que escuto ao alvorecer
Pode
ser uma transa que nunca tive
Ou
um amor que abracei com carinho
Pode
ser um bêbado na mesa de um bar
Ou
um padre rezando a missa no domingo
Pode
ser a puta que pariu esse mundo
Ou
a donzela que nos leva para bem longe
Pode
ser eu mesmo no meu dia-a-dia
Ou
você perguntando por que sou tão quieto.

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