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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Pretestamento


Quando eu morrer quero que me enterrem logo. Nada de velórios longos e vigílias durante a noite.

E chamem meus amigos e também alguns vagabundos que encontrarem na rua.

Não posso proibir ninguém de chorar, mas se forem chorar, façam com amor e discrição, prefiro que todos sorriam lembrando os bons e maus momentos que passamos juntos.

Por favor, nada de velas, prefiro incensos, de preferência aqueles com cheiro de eucalipto. E tirem os cruxifixos! Se houver cruxifixos em algum lugar guardando meu corpo, juro que volto para incomodá-los.

E se estiverem no clima, façam uma pequena festa ao meu redor, podem colocar algumas músicas do Nirvana como som ambiente.

Meu coração pode estar parado, mas minh'alma será eterna enquanto houver uma lembrança e uma causa para se rebelar.

Pois sem querer o homem destruiu seu mundo, e sua última morada é mais próxima do inferno do que do céu.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

EGO

Briguei comigo mesmo e ainda não me perdoei
Sequer tive vontade de levantar a bandeira branca
Sentia falta do conforto de estar triste.

Mas minha guerra contra mim afeta outros ao meu redor
As balas perdidas ferem quem eu jamais queria
Enquanto meu pior inimigo sorri feliz no meu ego.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

PROCESSO CRIATIVO

Quando estou em processo criativo entro em depressão.
Não porque fico triste ou algo parecido, mas porque fico ensimesmado, trancado dentro do meu mundinho particular do qual não saio enquanto não termino meu infortúnio de criar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

POR UMA GAIA MAIS AZUL

Nós costumamos pensar: "por que eu tentaria mudar e salvar o planeta se meu vizinho não faz o mesmo".
A mudança não começa com algo grande, mas com gestos insignificantes que crescem, se expandem e alcançam uma proporção inimaginável.
Lembram de que uma única pessoa foi capaz de parar um tanque de guerra e mudar o rumo da história? Por que não poderíamos fazer o mesmo?
"Um" pode parecer pouco quando se trata de mudar e salvar o planeta, mas com todos os "uns" do mundo somados, já estamos fazendo alguma coisa. E no dia que os "Zeros" resolverem somar mais um à velha unidade, alcançaremos o sonho de uma vida melhor.
Um somos todos e todos somos um. Seja mais um. Mude seu planeta.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

HÁ TEMPOS

Há tempos não escrevo minhas observações sobre os malditos dessa terra vazia, fui consumido pelo vírus da felicidade e fiquei cego do meu senso crítico.
Não sinto mais aquele ódio me revirando o estômago, não sinto mais o vazio no coração que me faz querer gritar manifestos ao mundo, não sinto mais vontade de sair à noite e varar a madrugada, não sinto mais vontade de me drogar, não sinto mais falta das estrelas, minhas eternas companheiras e testemunhas de meus delírios. Enfim, estou ocioso.
Como eu posso querer abraçar os malditos senão estou mais entre eles?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

VAZIALIDADES

Não tenho nada para escrever, minha mente está irritantemente vazia e estou só esperando a hora passar para poder dormir tranquilamente sem ser interrompido. A parede do meu quarto está amarelada e não sei de que cor eu pinto, talvez preto para combinar com minha morbidez crescente.
O tédio diário continua, ontem conheci um assassino vestido de policial, quem sabe amanhã eu não conheça um policial vestido de assassino? Sei lá!
E assim segue a vida, com o mesmo vazio preenchendo os mesmos espaços de sempre.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

HOJE

Miséria
Assombrações
Guerra
Sujeira
Merdas
Drogas
Ingenuidade
Putaria
Bombas
Falsidade do homem Ignorância
Idiotice
Mais merda ainda
Maconha
Cocaína
Música
Morte
Infelicidade
Capitalismo selvagem
Bundalização
Banalização do cotidiano
Falsidade
Cu Buceta Pinto
Mais guerra
Petróleo
Lixo
Terrorismo
Caos
Coprofagia
Morbidez
Miséria de novo
Viciado Sarjeta
Vômito
Morte
Tiros
Anarquia
Sujeira Contracultura
Caralho
Mais guerra Caos
Crianças morrendo
Tristeza Choro
Sangue Muito sangue
Doenças
Câncer
AIDS LSD
Drogas injetáveis
Depressão Melancolia
Todas as coisas ruins
Solidão Multidão
Cacete
Porra
Trabalho infantil Escravidão
Miséria
Escória Morte
Solidão Medo
Homicídio Suicídio Infanticídio Genocídio Verbocídio
Inútil
Palavras perdidas
Sempre o cu
Flores
As malditas flores
Flores Flores Flores Flores Flores Flores
Prisão
Ódio Guerra
Inutilidade
Intolerância
Medo Medo
Marijuana
Psicotrópico Fantasmas do passado
Futilidades
Perdição
Esperança

Miséria Assombrações Guerra Sujeira Merdas Drogas Ingenuidade Putaria Bombas Falsidade do homem Ignorância Idiotice Mais merda ainda Maconha Cocaína Música Morte Infelicidade Capitalismo selvagem Bundalização Banalização do cotidiano Falsidade Cu Buceta Pinto Mais guerra Petróleo Lixo Terrorismo Caos Coprofagia Morbidez Miséria de novo Viciado Sarjeta Vômito Morte Tiros Anarquia Sujeira Contracultura Caralho Mais guerra Caos Crianças morrendo Tristeza Choro Sangue Muito sangue Doenças Câncer AIDS LSD Drogas injetáveis Depressão Melancolia Todas as coisas ruins Solidão Multidão Cacete Porra Trabalho infantil Escravidão Miséria Escória Morte Solidão Medo Homicídio Suicídio Infanticídio Genocídio Verbocídio Inútil Palavras perdidas Sempre o cu Flores As malditas flores Flores Flores Flores Flores Flores Flores Prisão Ódio Guerra Inutilidade Intolerância Medo Medo Marijuana Psicotrópico Fantasmas do passado Futilidades Perdição Esperança Desesperança Esperança Desesperança Esperança Desesperança Esperança Desesperança Esperança Desesperança Quer mais ou já entendeu como é o mundo hoje?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

MANCHETES

Ontem à noite eu vi, com meus olhos vermelhos de fogo, a marginalidade vadia agindo mais uma vez. Nem tive tempo de esboçar uma reação, quando percebi, a velha senhora jazia desfalecida no chão, o sangue saindo de suas têmporas e o meliante filho da puta fugindo ao longe com a aposentadoria suada da pobre coitada.
A multidão se aglomerou em volta da velha, a indignação e a revolta estampou os olhos dos cidadãos escravizados pelo medo do dia-a-dia, vozes de protesto ecoaram pelas ruas mas se perderam nos labirintos poluídos pelo conformismo natural. Para a polícia é apenas mais um número nas estatísticas, para nós, mais uma notícia no jornal.
Quanto tempo ainda teremos que suportar toda essa droga? Quanto tempo ainda ficaremos a mercê dessa criminalidade pulsante em nossas veias sociais? Quantos ainda hão de morrer para que algo seja feito? Não defenderei a pena de morte nessa minha vida mas desejo visceralmente que esses seres indignos de estarem caminhando entre nós morram da pior morte que nossas imaginações puderem imaginar.
Não tenho cacife para mudar esse mundo, mas tenho fibra para querer mudar!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

VERBIAGEM SOBRE A PERSONALIDADE

O meio molda o homem, sempre moldou o homem e sempre moldará o homem. Ratificando o conceito de “tábula rasa”, a personalidade presente, passada e futura de um indivíduo caracterizam-se pelo meio selvagem em que vive. Não há como em pouco tempo alguém querer adulterar seus gestos por simples capricho de sua vontade. O cérebro domina nossos gestos.
O cérebro tem vida própria, independe de seu mestre corpóreo, querer controlar essa massa cinzenta dotada de neurônios é como querer parar um projétil balístico em movimento, machucar-se-ia antes de sentir-se fracassado em sua missão. O cérebro assimila somente aquilo que lhe satisfaz dentro de seu meio selvagem (consideremos como “selvagem” tudo que for externo ao nosso eu interior, o nosso corpo conhecido, em suma, o meio em que vivemos), ao viver ouvindo música clássica durante parte de sua existência num determinado meio, o cérebro não permitirá que uma música “punk” macule sua alvura. Mas coloque o mesmo cérebro em um outro ambiente totalmente diferente. Adaptar-se-ia ao novo local? Claro que sim! O cérebro é mutável assim como a personalidade, aliás, o cérebro é a nossa personalidade. Cada mancha em nossa “tábula rasa” é uma mancha a mais, e uma nova mancha nunca limpará a velha. Nosso cérebro não vai mudar, apenas se adaptará à recente situação.
Eis os fatores da múltipla personalidade. Vivendo um mundo de múltiplas situações, desenvolvemos a capacidade de elevar cada uma de nossas personalidades para lidar com cada situação ou estresse como preferir vossa filosofia.
Vejo-me vivendo em um mundo estressante, de múltiplas situações, para cada uma delas eu sou uma pessoa diferente: o bom filho, o amigo fiel, o ateu revolucionário, o poeta, o deprimido etc., etc., etc., tudo afluindo dentro de um único corpo pensante e “sentimentante”.
A água quando ferve, borbulha para fora cada uma dessas personalidades, às vezes até se elevam e escapam em situações impróprias, mas cada uma dessas personalidades é regida pelo mesmo coração, o ser único, sua doutrina é regida apenas pela emoção, ele não pensa. Então eis o conflito!
Como distinguir cada uma dessas personalidades se elas têm um único coração para compartilhar? Como podem dizer que eu não estou sendo meu verdadeiro eu se só existe um eu? O homem é uma “tábula rasa” e cada mancha nessa tábula é uma ranhura a mais na personalidade. Não olhemos para a cabeça, muito menos os olhos – eles mentem descaradamente -, se queres sentir a verdadeira personalidade do homem selvagem, olhe para o coração e sinta-o. Mesmo que sua visão conflite com toda a natureza visível desse indivíduo, o órgão que pulsa por debaixo da pele, da gordura, do sangue e dos ossos é quem verdadeiramente demonstra a personalidade selvagem do homem.
O resto é apenas a sociedade, nada mais.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

CARTA PARA UM AMIGO

Tantos demônios que se apossaram da minha cabeça e você sempre do meu lado na qualidade de amigo miserável. Impediste-me de afogar este peso enfadonho em loucuras sugestivamente suicidas deixando meus olhos quase sempre vermelhos.
Certa vez eu fui encontrado debaixo de um viaduto. O suor escorrendo pelo meu rosto, o sangue desafiando a gravidade e o fedor de mijo perfumando narinas alheias. O tempo não significava mais coisa nenhuma, dias, horas e segundos de nada me valiam. Albert Einsten me ensinava a relatividade enquanto o mundo alienado continuava sendo mundo.
Misérias, desgraças, doenças, infâmia, dores, perturbações, loucuras, drogas, sexo, putas, infelicidade, demônios... - Eis o demônio! Ecce Homo! –
Você sempre esteve me acompanhando, mesmo distante, na sombra das árvores. Quando observei o mundo do alto, me seguraste com grande carinho.
Certa vez me encontraram desfalecido na rua, o coração despedaçado procurando cola, um amor tão bonito que não pude suportar. Os amigos consolaram, mas só você me fez rir.
Prostitutas nojentas me chuparam por drogas, cachorros coprófagos procuraram comida e os demônios da noite perturbaram meu sono. Gregório de Matos declamou seus sonetos e eu abaixei a cabeça para ouvir com respeito.

As guerras, as merdas, as guerras de merda. O mundo vazio e você nunca me deixou esquecer o que é ser humano. Ser feliz é humano, ser infeliz é humano, sentir dor também é humano, sorrir é humano, chorar é mais humano ainda. Estar no fundo do poço é humano, querer sair do fundo é condição humana, defecar é humano, sangrar e morrer é o destino humano.

Certa vez eu quis sair correndo sem nenhum objetivo ou destino miserável. Fugindo de um triste amor indesejado arrebentei minhas fibras musculares e uma câimbra sentimental me tomou no caminho. Você me carregou com esforço, nos arrastamos pelas vielas de pedregulhos enquanto as pedras perfuravam meu músculo sentimental. Uma delas me atravessou com frieza matando o último sentimento generoso dessa carcaça.

Guerra, guerras e guerras. A miséria assola meus ângulos de visão. O álcool embaça minha vista e me impede de ver a realidade, realidade que sempre desejei negar. Às vezes sonhando com as malditas flores, em outras, apenas sonhando acordado.

Certa vez me pediram para não te procurar, eu estava perdido sem saber onde ir, o sangue negro esquentava minhas veias e alimentava as vampiras de pesadelos reais. Tampei os ouvidos e fui atrás de você, mais uma vez encontrei o conforto nos seus braços, suas palavras sussurradas eram embriagantes e os demônios à nossa volta dançavam ciranda.

Uma garota de negro mordeu-me os lábios e bebeu do meu sangue o ópio da melancolia, para chorar de desespero na depressão entorpecente. Você devia ter visto suas lágrimas vermelhas quando tentei me enforcar na cela dessa prisão.

A guerra, as drogas, as dores, as loucuras, temperados com miséria e desgraça, tudo fez parte desse cardápio sombrio, para dizer a você, amigo miserável, que certa vez eu vi a porta do inferno aberta e a degradante visão apocalíptica que tive foi do próprio mundo maldito que nós vivemos.