segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Pretestamento


Quando eu morrer quero que me enterrem logo. Nada de velórios longos e vigílias durante a noite.

E chamem meus amigos e também alguns vagabundos que encontrarem na rua.

Não posso proibir ninguém de chorar, mas se forem chorar, façam com amor e discrição, prefiro que todos sorriam lembrando os bons e maus momentos que passamos juntos.

Por favor, nada de velas, prefiro incensos, de preferência aqueles com cheiro de eucalipto. E tirem os cruxifixos! Se houver cruxifixos em algum lugar guardando meu corpo, juro que volto para incomodá-los.

E se estiverem no clima, façam uma pequena festa ao meu redor, podem colocar algumas músicas do Nirvana como som ambiente.

Meu coração pode estar parado, mas minh'alma será eterna enquanto houver uma lembrança e uma causa para se rebelar.

Pois sem querer o homem destruiu seu mundo, e sua última morada é mais próxima do inferno do que do céu.

domingo, 27 de maio de 2012

RETRATO DE PALAVRAS


Às vezes me perguntam por que sou tão quieto
Ensimesmado no meu canto perfeito

Respondo que apenas observo o mundo
À espera de um momento extraordinário

Momento que fotografo num retrato de palavras
E depois revelo numa folha amassada de papel

Pode ser uma criança brincando no parque
Ou um vagabundo pedindo esmola na rua

Pode ser uma festa que vara a madrugada
Ou o silêncio que escuto ao alvorecer

Pode ser uma transa que nunca tive
Ou um amor que abracei com carinho

Pode ser um bêbado na mesa de um bar
Ou um padre rezando a missa no domingo

Pode ser a puta que pariu esse mundo
Ou a donzela que nos leva para bem longe

Pode ser eu mesmo no meu dia-a-dia
Ou você perguntando por que sou tão quieto.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

EGO

Briguei comigo mesmo e ainda não me perdoei
Sequer tive vontade de levantar a bandeira branca
Sentia falta do conforto de estar triste.

Mas minha guerra contra mim afeta outros ao meu redor
As balas perdidas ferem quem eu jamais queria
Enquanto meu pior inimigo sorri feliz no meu ego.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

FRAGMENTOS MNEMÔNICOS

Noite escura numa rua qualquer
o cheiro da grama molhada ao relento
inúmeras estrelas diante de meus olhos
Um supermercado vinte e quatro horas
estacionamento vazio na madrugada
pálpebras pesadas de sono
O Sol nascendo no horizonte
Embriagando com os amigos fiéis
outra vez sozinho na rua
Passos largos em ruas escuras
sombras demoníacas sob as árvores
chapéus de amigos duendes no chão
Abraçado com uma garota bonita
debaixo de cobertores quentes
Ventos gélidos cortando-me a face
Mochila nas costas e nenhum destino
Som de rock’n roll
sentado na sarjeta
bebendo e fumando sob a fina garoa
Talvez uma praça dos bairros antigos
conversa jogada fora
andando de carro atrás de THC
Deitado na rua às vezes dormindo
sexo dentro de um drive-in
Noite quente de verão
uma árvore até então desconhecida
Um bar no centro da cidade
Trilhos de trem abandonados
Viciados escondidos nas sombras
Prostitutas em suas esquinas
Vômitos em gramas verdes e aparadas
Uma lanchonete que vende comida árabe
Carros passando rapidamente
alguns quase nos atropelando
Mansões colossais em bairros elegantes
urinas etílicas nos portões de ferro
O Sol nasce diante de meus olhos
A ponte parece tão distante
Loucas risadas irrompendo o silêncio
perfumes de Dama- da- Noite no ar
Sessões intermináveis de loucura
Lembranças borradas de um dia corrido
Perdido em algum lugar estranho
Luzes por toda parte
Sons de cigarras invisíveis
Deitado na própria cama
o teto girando sobre a cabeça
uma réstia furtiva invadindo o quarto
Uma nova esperança acendendo
cheiro de cola no meio da sala
O breu da madrugada pesando olhos sátiros
Decepção amorosa sem muita dor
uma chance perdida mais uma vez
talvez não fosse tarde demais
Risadas mefistofélicas na floresta
alucinação coletiva ou realidade desfalecida
As luzes brilham intensamente
Os olhos ardem e lacrimejam
Seios se esfregando em rostos bêbados
o orgasmo tremendo pernas sólidas
Sorrisos extremamente distantes
álcool nas veias, fumaça no pulmão
O Sol nascendo de novo
logo está se pondo outra vez
os dias passando como todos os outros
O nada rotineiro nunca mudando
O hábito que não se desfaz com facilidade
O Sol nasce para apenas morrer
Acordando cansado e dormindo disposto
fragmentos de sonhos e de realidade
Alguém chama no meio do nada
sombras perfeitas nos acompanham
Minhas namoradas dormem tranqüilas
O Sol nascendo novamente
O brilho me desperta em meio à rua
volto para casa mais uma vez
Amanhã eu saio novamente
mais uma lembrança se perderá na história
O Sol nascendo no horizonte.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

NOITE DE SÁBADO

Era uma noite de sábado, e eu fiz minha barba e sangrou
Eu nunca tive planos para você
E nunca imaginei que você se encaixasse nesse papel
Foi só mais uma garota em uma noite de sábado

E não me odeie por isso que você está certa
Eu posso ser um vampiro e te morder inteira
Foi só mais uma garota com um rockstar
Com uma música tocando no meu violão

Não perca seu autocontrole nem fique arrependida
Eu te contei uma grande mentira
E te carreguei para minha luz
Era uma noite de sábado, e eu fiz minha barba e sangrou.

domingo, 10 de abril de 2011

ANJOS

Dos meus dois lados eu vi um anjo
Refletidos comigo no espelho
O do lado esquerdo susurrava palavras
Palavras maliciosas que me tentavam
O do lado direito permacia imóvel
Quase uma pintura decadente
Susurrei-lhe as palavras que me tentavam
E ambos sumiram
Voltaram aos céus
Para suas camas de algodão doce
Para fornicarem como diabos

sexta-feira, 11 de março de 2011

UM ANIMAL DENTRO DE MIM

Há um animal dentro de mim querendo sair
Não sei se é fera ou bicho manso
Então mantenho-o preso por desconhecer suas consequências
Alimento-o apenas com meus sentimentos
Às vezes ensaio um pequeno passeio
O animal querendo sair parece tão dócil
Mas no meio do caminho ele ataca seus pares
Prendo-o novamente e o castigo duramente
Há um animal dentro de mim querendo sair
Mas não posso confiar nele
Seu espírito é selvagem e ainda não foi domesticado.