segunda-feira, 18 de agosto de 2008

SENHOR RATO

Ontem eu conversei com o Senhor Rato, o mais antigo morador da Vila do Absurdo, talvez seja até o seu fundador. Sua cara de pêlos brancos, nariz pontudo e boca desdentada me disseram:
"Se você tentar me entender eu posso te confundir, se você me confundir talvez possa te levar ao entendimento..."
Não tentei entender o significado, estava mais preocupado com os tiros que passavam rasgando o céu acima da minha cabeça. Há um perigo sempre nos rondando, tente pedir a um padre para converter o mais sábio dos ateus.
_ O Demônio é um cú e Deus come cuzcuz.
_ Amém!
O Senhor Rato me leva para o último andar, no caminho leva um tiro na perna mas não esboça uma única sensação de dor. O sangue que escorre é negro como a cor do mar numa noite sem estrela e o cheiro fede à realidade impertinente, uma mistura de queijo rançoso com suor de cachaça. Apesar da sujeira, continuamos andando sem parar até o nosso destino.
Fui deixado numa sala onde estava a mais linda prostituta que já fodi, seios em riste, buceta depilada e bunda durinha.
_ E mesmo que eu ande no vale da sombra e da morte, não temerei mal algum, porque tu fodeu comigo.
_ Amém!

Nenhum comentário: